Especialista alerta para a banalização dos sintomas do estresse.

Nesta terça-feira, (23) comemora-se o Dia Mundial de Combate ao Estresse. A data traz um alerta para a banalização dos sintomas da síndrome que afeta grande parte da população brasileira.

O estresse é uma defesa natural que nos ajuda a sobreviver, mas a cronicidade do estímulo estressante acarreta consequências danosas ao nosso organismo. Segundo a International Stress Management Association, ISMA, o problema afeta 80% da população brasileira.

Sobre o assunto, o A12.com consultou o pesquisador, especialista em biofeedback cardíaco (cardiovascular) e palestrante do Curso de Gerenciamento de Stress do ISMA – Brasil, Dr. Marco Fabio Coghi.
A12.com - Como os pequenos problemas do dia a dia, a longo prazo, acabam criando uma situação de estresse?
Dr. Marco Fabio Coghi - É importante entender que o estresse é considerado uma síndrome de adaptação. Ou seja, qualquer evento ao qual não conseguimos nos adaptar provoca stress e vai lentamente se acumulando até que certo dia se manifesta como doença física ou psicológica. É uma fechada no transito, a briga com o namorado, o cartão de crédito que veio errado ou a conta do telefone que subiu. Não é necessário que grandes catástrofes ocorram para que se desenvolva o stress. São pequenas coisas do cotidiano que se somam.
A12.com - Podemos dizer que o estresse é uma doença?
Dr. Marco Fabio Coghi - O estresse é uma Síndrome, um conjunto de sinais e sintomas manifestos por uma ou mais doença ou condições clínicas. O estresse pode se manifestar na forma de gripes de repetição, herpes, hipertensão, doenças cardíacas, diabetes e até na forma mais agressiva, como o câncer. Ou seja, o stress pode ser a causa subjacente de várias doenças.
A12.com - Ninguém fica estressado de um dia para o outro. Na prática, essas manifestações corporais vão ocorrendo lentamente e a pessoa se acostuma com elas. Que dicas você dá para reconhecer que o mecanismo de estresse está se instalando?
Dr. Marco Fabio Coghi - É preciso entender e diferenciar o estresse: ele pode ser agudo ou crônico. O primeiro se dá quando defrontamos um perigo eminente de risco de morte. Nosso organismo se estrutura para enfrentar o perigo, para lutar ou fugir. Assim que o perigo passa, ele volta ao normal e tudo se resolve.

Mas, no segundo caso, o stress crônico, não se resolve assim. Durante dias, meses ou mesmo anos, vamos acumulando o stress e as doenças poderão aparecer também de forma sutil. Ele se manifesta em quatro fases, sendo que na primeira e a segunda, estado de alerta e resistência, há um retorno natural ao estado de normalidade. Na quarta fase há o adoecimento propriamente dito.
A pessoa se sente exausta, sem energia e forças para enfrentar o dia a dia: é o estado de exaustão. É preciso reconhecer os sintomas de estresse logo nas primeiras fases, como ansiedade mais duradoura, e ficar de sobreaviso para que ele não evolua. Ficar alerta ao desgaste, cansaço físico e mental e buscar identificar quais são os agentes estressores que estão nos fazendo mal é o primeiro passo. Tentar se adaptar a situação estressante ou eliminá-los definitivamente, caso seja possível.
A12.com - Qual a relação entre o estresse e o álcool?
Dr. Marco Fabio Coghi - A busca para o alívio da tensão física e emocional pode passar pelo uso de remédios, drogas ilícitas ou mesmo etilismo, sempre no intuito de reduzir esse estado. Mas essas estratégias podem causar danos maiores e por vezes, catastróficas. A automedicação pode ser muito prejudicial, portanto, no caso de stress crônico é necessário recorrer à ajuda de um profissional de confiança, quer seja médico, psiquiatra ou psicólogo.
É possível também utilizar treinamentos por meio de uma tecnologia de biofeedback cardíaco conhecido como cardioEmotion, que serve como ferramenta complementar-integrativa na redução do stress e, principalmente, de forma preventiva. É de simples uso e não tem contraindicação.


A12.com - O estresse pode atingir as crianças?

Dr. Marco Fabio Coghi - As crianças são as grandes vítimas do estresse, pois muitas vezes não terem noção do que está acontecendo ao seu redor. As condições que geram stress na criança, depende muito de sua idade. Ela precisa estar constantemente se adaptando a um ambiente que muda com muita rapidez e nem sempre ela consegue. Na primeira infância o mundo que a cerca - socialização primária (em casa) e secundária (com os amigos, vizinhos) - pode causar muito estresse e traumas.
Quando a criança vai à escola, nova adaptação deve ser feita: os locais e as pessoas são diferentes, muitas vezes estranhos, e ela é obrigada a se adaptar novamente.
Isso ocorre em todas as fases do desenvolvimento do ser humano, pois conforme a vida passa, novos desafios vão aparecendo e com isso a necessidade de nova adaptação. Se a pessoa tiver conseguir ela pode se sair bem no novo contexto, caso contrário, o stress pode causar um dano muito grande. É como a sobrevivência das espécies: se adapta ou sofre as consequências.



Dr. Marco Fabio Coghi é pesquisador, especialista em biofeedback cardíaco (cardiovascular) professor do curso de pós-graduação da Universidade Cidade de São Paulo (UNICID), fisioterapeuta pós-graduado, palestrante do Curso de Gerenciamento de Stress do ISMA (International Stress Management Association – Brasil), congressista nacional e internacional. Diretor da NPT – Neuropsicotronics Ltda e criador do cardioEmotion, tecnologia brasileira que mede e regula o estresse em tempo real.

Informações: A12
COMPARTILHAR:

+1

Postagem mais recente Postagem mais antiga Página inicial
PORTAL IGREJA NA MÍDIA - COMUNICAÇÃO À SERVIÇO DA IGREJA.. Tecnologia do Blogger.