Combate à fome exige superação de lógica do mercado, diz Papa.

O Papa Francisco visitou hoje, 20, a sede da organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), em Roma, onde apelou ao respeito pelos direitos dos que sofrem com a fome, superando a lógica do mercado.
“Enquanto se fala de novos direitos, o faminto está aí, na esquina da rua, e pede o reconhecimento da cidadania, ser considerado na sua condição, receber uma alimentação de base saudável. Pede-nos dignidade, não esmola”, disse o Santo Padre durante a segunda Conferência Internacional sobre Nutrição.
A visita do Papa Francisco à FAO entra para a história como parte da tradição dos pontífices em levar à Comunidade Internacional a preocupação e as ações da Igreja no combate à fome.
Francisco sustentou que a luta contra a fome e a desnutrição é dificultada pela “prioridade de mercado” que reduziu os alimentos à especulação financeira. No esforço para eliminar a fome a comunidade internacional deve rejeitar sistemas de “discriminação” que são ligados à “capacidade de acesso ao mercado dos alimentos”, enfatizou.
Nesse sentido, o Papa acrescentou que o direito à alimentação só será garantido se houver preocupação “com o sujeito real, ou seja, com a pessoa que sofre os efeitos da fome e da desnutrição”. Para o pontífice, o direito à vida e uma existência digna está relacionado com a “obrigação moral de partilhar a riqueza econômica do mundo”.
“Pessoas e povos exigem que a justiça seja colocada em prática; não apenas a justiça legal, mas também a contributiva e a distributiva”, precisou.
Perante o diretor-geral da FAO, José Graziano da Silva, e a diretora-geral da OMS, Margaret Chan, Francisco elogiou a decisão de reunir nesta conferência representantes de Estados, instituições internacionais, organizações da sociedade civil, do mundo da agricultura e do setor privado.
Nesse contexto, disse que a Igreja Católica está atenta a tudo o que se refere ao bem-estar “espiritual e material” das pessoas, em primeiro lugar das que “vivem marginalizadas e estão excluídas, para que sua segurança e dignidade sejam garantidas”.
A intervenção conclui-se com uma oração: “Peço também que a comunidade internacional saiba escutar o apelo desta Conferência e o considere uma expressão da comum consciência da humanidade: dar de comer aos famintos para salvar a vida no planeta”, finalizou.
A assembleia mundial sobre os desafios nutricionais do século XXI começou ontem e encerra nesta sexta-feira, 21. O evento conta com a presença de representantes de mais de 190 países, organismos da ONU, organizações intergovernamentais, membros da sociedade civil, fundações, empresas privadas e outros setores. Essa é a segunda conferência realizada para discutir a desnutrição, um dos maiores desafios do século XXI, que afeta países ricos e pobres. A primeira reunião mundial aconteceu em 1992.
Segundo a FAO, cerca de 2 bilhões de pessoas, aproximadamente um terço da população mundial em desenvolvimento, sofrem com a carência de alimentos.

Francisco é o quarto pontífice a visitar a organização intergovernamental. Antes dele, discursaram em reuniões mundiais Paulo VI, em 1970, João Paulo II, em 1979 e 1992, e Bento XVI, em 2009.
Informações: A12
Fonte: Agência Ecclesia e Rádio Vaticano.
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